sábado, 3 de agosto de 2013

Um grito no vácuo


Minha boca abre, o som não sai. Estou no vácuo de mim mesma, aqui tudo é denso, tudo é tenso.

Hoje eu quis me embriagar, hoje eu quis ensaiar para a morte.
Hoje eu pensei nas crianças sem pais, nos idosos abandonados, nos animais mal tratados e nas coisas mais puras e belas que passam despercebidas.

E quando sentei para jantar, me vi ocupada em nascer e morrer.

Gritei! Mas estava no vácuo, o vácuo de mim mesma.

E meu grito estancado, fica estampado na minha cara sem sorriso, na minha testa franzida, nas minhas mãos e braços que buscam outras mãos e braços no anseio de propagar o que mesmo no vácuo não cessou.

Não sei se cega de cansaço ou de ignorância, não há mãos que minha vista consiga enxergar.
Estou aqui, vomitando a comida que engoli.
Estou aqui, vibrando o grito que não fiz ecoar.
 

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